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Curiosidades sobre as crendices nordestinas!

Em 26 de outubro de 2015

Como os mais velhos já diziam: o melhor remédio pra qualquer coisa é uma boa lapada de cana". Aqui no Nordeste o que não falta é remédio, receita, doutor e doido pra experimentar!

Quem se arrisca?

AMEBA
Tomar, durante 30 dias, em jejum, um copo de água fria com três gotas de creolina.

ASMA
*Tomar chá feito com enxerto-de-passarinho.
*Comer testículos de porco assados e servidos com sal.
*Tomar fel de boi misturado com um pouco de cachaça.
*Tomar chá feito com chocalho da cobra cascavel
*Tomar chá feito do olho que tem na pena do pavão.

AZIA
*Beber um copo d’água no qual foram colocadas três pitadas de cinza fria.

BICHO-DO-PÉ
*Depois de retirado o bicho-do-pé, com o auxílio de um alfinete, encher a cavidade com sarro de cachimbo

CALO
*Quando o sapato é novo, o calo é sempre uma certeza
*Colocar sobre o calo cera-de-ouvido.

CATAPORA
*Para a catapora acabar de sair ou sair ainda mais depressa, nada como tomar chá feito com o cabelo-de-milho sem açúcar.

CACHUMBA
*Aplica-se, no local, um emplastro feito com o lodo do pote de carregar água da cacimba.

CHULÉ
*É bom lavar os pés com a urina de uma criança.

DEDO, PÉ ou BRAÇO DESMENTIDOS
*Dar uma surra no lugar afetado com um saquinho de sal grosso.

DESMAIO
*Passar, dentro do começo do nariz da pessoa desmaiada, uma pena de galinha até a pessoa voltar a si.
*Soprar nos ouvidos e bater na sola dos pés até a pessoa tornar, voltar a si.

DOENÇA-DOS-OLHOS
*Pingar, no olho doente, algumas gotas de leite materno.
*Banhar os olhos com a água onde se pôs uma rosa branca.

DOR-DE-BARRIGA
*Tomar chá feito com a moela da galinha, crua.
*Comer uma banana prata verdosa.
*Comer um pedaço de macaxeira branca, crua.

DOR-DE-CABEÇA
*Colocar, sobre a testa, uma mistura feita com pó de café e manteiga.

DOR-DE-DENTE
*Introduzir na cárie, se couber, uma cabeça de fósforo.
*Encher a cárie com o pó feito do chocalho da cobra cascavel.
*Encher a cárie com sarro de cachimbo.
*Bocejar com água e sal.

DOR-DE-GARGANTA
*Comer tanajura torrada, se for tempo de tanajura.

DOR-DE-OUVIDO
*Botar, no ouvido que estiver doendo, três gotas de leite materno.

ENJOO-DE-GRAVIDEZ
*Comer um pombo bem assado, sem sal.

ENJOO-DE-VIAGEM-DE-AUTOMÓVEL
*Colocar uma castanha de caju no bolso, se for homem, ou na bolsa, se for mulher.
*Mascar uma cabeça de fósforo.

ERISIPELA
*Amarrar, no tornozelo, uma fita vermelha.

FURÚNCULO
*Para o furúnculo estourar, por si só, nada como colocar no olho da cabeça-de-prego, um emplastro feito com o couro do bacalhau, cru.

GALO-NA-CABEÇA
*Quando se leva uma pancada na cabeça e aparece um galo nada como fazer, sobre ele, forte pressão com a folha de uma faca fria.

HEMORRAGIA
*Colocar, no local da hemorragia externa, para parar o sangue, um chumaço de algodão embebido em verniz de carpinteiro.

HEMORRAGIA NASAL
*Molhar a cabeça em água fria e ficar olhando para o céu durante cinco minutos.

HEMORRÓIDAS
*Sentar num pedaço de tronco de bananeira recém-cortado.
*Colocar uma pele de fumo no anus.
*Colocar compressas de querosene.

HIDROCELE ou ÁGUA-NAS-PARTES
*Ferver a água necessária para quase encher uma bacia de tamanho médio em que se tenha colocado uma caixa de charutos vazia, para que o doente se acocore e possa tomar banho do vapor.

IMPOTÊNCIA SEXUAL
*Tomar chá de catuaba.
*Comer testículos de boi, assados.
*Tomar sopa de mocotó-de-boi.

INDIGESTÃO
*Chá feito com a pele que envolve a moela de uma galinha, crua.

JÁ-COMEÇA ou COCEIRA
*Tomar banho com o cozimento de maxixes, sem comê-los.

LOMBRIGA
*Comer coco seco raspado, em jejum até aborrecer.

MAL-DOS-SETE-COUROS
*Passar, no local, sebo de carne-do-ceará, bem quente.

MIJAR-NA-CAMA
*Nada com dar umas lapadas na criança com um muçum vivo.

MORDIDA-DE-COBRA
*Tomar meia garrafa de querosene e comer um prato de farofa com bacalhau assado na brasa.

MULHER MANINHA
Para que a mulher venha a ter filhos:
*Tomar água antes de ter relações sexuais.
*Dar ao marido, todo dia, no almoço, carne de carneiro preto, com um copo de vinho.

PANOS BRANCOS
*Lavar o rosto ou a parte afetada pelos panos brancos, com água de chuva caída na hora.

PRISÃO-DE-VENTRE
*Tomar chá de cupim.

QUEDA-DE-CABELO
*Pentear os cabelos com um pente feito de chumbo.

SOLUÇO
*Pregar um susto à pessoa que estiver com soluço.

TERÇOL
*Engolir nove caroços de limão durante três dias seguidos.
*Esfregar, no chão, a semente de olho-de-boi e depois colocá-la sobre o olho onde está localizado o terçol.

TRIPA-DE-FORA (Prolapso do reto)
*Sentar a pessoa acometida do mal em um pedaço de tronco de bananeira cortado na hora.

UMBIGO-CRESCIDO-DE-RECÉM-NASCIDO
*Chá de cabelo-de-milho.

URINA PRESA
*Fazer um chá do talo do jerimum, seco e torrado. Chá de alpiste.



Mitos e lendas da Quaresma

Em 15 de março de 2014

Mula-sem-cabeça e lobisomem estão entre os mitos e costumes que já assustaram muitas crianças e adultos no período de preparação até a Páscoa. Várias lendas e crendices permeiam o imaginário popular no período da Quaresma, os quarenta dias desde a quarta-feira de cinzas até a quinta-feira da Semana Santa. Hoje, essas tradições folclóricas estão bem mais reduzidas, acabaram se perdendo com o tempo. Porém, para pessoas mais velhas, a Quaresma ainda é um período de recolhimento, oração, e de dormir cedo, principalmente na sexta-feira, pois, acredita-se que nesse dia a mula-sem-cabeça e o lobisomem estão soltos no mundo.

Uma senhora com a qual bati um papo recentemente lembra que quando era jovem, as tradições da Semana Santa eram seguidas a risca na sua casa. “Minha mãe sempre contava que se passasse na Sexta-Feira Santa perto de um cemitério, você iria ver algum morto caminhando, além disso, durante toda sexta-feira da Quaresma não podia sair à noite que poderia ver o lobisomem. E dançar, só até a meia noite da quarta-feira de cinzas, se passasse disso, você poderia ver o demônio. A mãe dizia assim: pula, pula até meia noite, porque depois o diabinho aparece. E, se a mãe descobrisse que passamos da meia-noite no carnaval, era castigo em certa”. Costumes como esse eram seguidos em muitos locais, e para quem não obedecesse o castigo vinha, se não fosse obra do acaso era dado em casa, pelos pais.

“Na Sexta-Feira Santa era proibido olhar no espelho porque viria outra imagem, algo horripilante, como a figura do próprio demônio. Também não se podia ouvir rádio, cantar, assobiar, ou, qualquer coisa que demonstrasse alegria”. Assim era a Quaresma, e principalmente a Semana Santa, nas casas das famílias aqui de Varzinha e regiões circunvizinhas. Muitos com quem falamos sobre o assunto recorda da infância, quando em sua casa, vários costumes e crendices eram respeitados durante esse período.

Quem de nós já não ouviu histórias mirabolantes de mula-sem-cabeça, lobisomem, assombrações (livusias)? Alguns nomeavam até algumas pessoas conhecidas como sendo lobisomem. Acredite se quiser...



A ressurreição de Zé das Éguas

Em 28 de fevereiro de 2014

Lá pelas bandas de Ibiajara viveu há alguns anos um sujeito muito fanfarrão e astuto apelidado por todos de "Zé das Éguas". Zé tinha fama de comilão. Fazia suas refeições em uma bacia média que todos chamavam de "bacia de esmalte" e, muitos que por ali viviam já pressentiam o prejuízo quando ao aproximar " a hora do dicumê" seja almoço ou janta Zé das Éguas se aproximasse de sua casa.

Zé das Éguas àquelas alturas não andava muito bem de saúde. Vivia se queixando aos que por seu caminho aparecia:

– Cumpadre, num tô bem não. Meu istambo só anda arruinado. Num sei que laseira é essa não.

Todos que ouviam aquela lamúria de Zé das Éguas achavam que era invencionices dele. Papo para levar vantagem em alguma coisa, pois isso já era corriqueiro por ali.

Numa tarde, quase noite estava o povo ali reunido negociando seus leitões, suas mulas, suas novilhas quando um menino barrigudinho chega todo ofegante aos berros:

– Seu Mané, seu Quinca. Gente Zé das Éguas tá caído ali.

Aqueles homens todos ali reunidos partiram em direção daquele menino e chegando no local indicado avistou ali caído no chão o Zé das Éguas.

– Uai, será que Zé morreu? – Indagava um.

– O homem tá gelado – Replicava outro.

Concordaram que o homem estava morto. Pegaram o corpo levaram para sua casa e ali começaram a preparar o velório. Apesar de não ser muito bem quisto por muita gente daquela região, a pequena casa estava repleta de pessoas. Enquanto algumas mulheres velavam o corpo ali estendido num "catre" outras preparavam a comida num quartinho nos fundos o qual chamavam de "despensa". Os homens preparavam o caixão com tábuas de mandacaru enquanto tomavam generosos goles de "catinga de porco".

Lá pela madrugada uma senhora que cochilava ali sobre uma mesa levanta-se assustada e comenta com a comadre:

– Cumadre Maria, parece que eu vi o defunto mexendo!

– Tu tá doida cumadre. Tá vendo coisa! Cuma é que o homem tá morte e mexe?
Dona Maria parecia convicta de que era maluquice da comadre, mas ficou cabreira e de "rabo de olho" ficava olhando fixamente para aquele defunto.

– Minha nossa senhora das Brenha!!! Cumadre! Também vi o defunto mexer a mão. Ambas saíram dali as pressas para contarem o acontecido aos maridos que estavam no feitio do caixão.

– Quinca, eu e acumadre vimo o Zé das Éguas mexendo.

Aquele homem assustou-se com o relato daquelas senhoras e partiu para a sala onde estava o defunto. Observou atentamente aquele homem, sem deixar transparecer nada aos demais ali presentes.

De repente aquele defunto ali deitado, pálido, gélido levanta-se, põe-se sentado sobre aquele catre e espreguiçando fala com voz rouca:

– Gente, mas tô morto de fome.

Neste momento viu-se uma correria tremenda. Mulheres, homens e crianças pulavam, saltavam aos gritos de susto e incredulidade do que tinha acabado de acontecer.

Zé das Éguas até mesmo depois de morto atormentava aquela gente.

Contado por: Alvino Alves de Oliveira
Adaptado por: Udirlei Correia