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”. (Platão)

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Amor Além da Vida

Eles cresceram juntos e juntos passaram toda a infância, compartilharam os brinquedos e brincadeiras, as alegrias e decepções de uma época mágica, na qual a magia das brincadeiras e ilusões reinava absoluta.

Marta e João Paulo eram daqueles que viviam grudados e não faziam nada sem o outro, dava prazer ver aquela cumplicidade. O tempo passou e aquela amizade inocente e pura começou a se transformar em algo diferente e sólido. Quando contavam 13 anos, Marta e João Paulo já não mais aguentavam controlar aquele desejo ardente que sufocavam o peito e deixaram aquele sentimento até então desconhecido para ambos aflorar e concretizar. A partir daquele primeiro beijo tão inocente e acidental, deu-se início a um amor puro e verdadeiro que a cada instante crescia e aflorava. Era lindo ver a conivência dos dois, a união que nada nem ninguém conseguiam destruir.

A família deles aprovava o namoro, pois além de conhecer perfeitamente um ao outro por serem vizinhos, sabiam que não podiam impedir um sentimento tão forte. Eles já faziam planos futuros apesar de terem apenas 15 anos, achavam que nada os impediam de se casarem e viverem felizes, pois o amor que um tinha pelo outro era imensurável.

Marta como não podia ser diferente tinha o grande desejo de casar-se e ter filhos e já em sonhos, via a carinha de uma lindinha menina de olhinhos verdes como os seus e relatava tudo ao namorado que dava ao sonho da querida Marta mais realidade com suas palavras de carinho e amor. Todo aquele romance parecia coisa de novela das oito: – Tenho até medo de tanta felicidade – dizia Marta.

Como não há tristeza infinita e alegria eterna e a vida não é feita só flores, para Marta e João Paulo não foi diferente. Certa manhã, quando Marta chega a sua casa encontra sua mãe radiante dizendo:

– Marta, sabe o Tadeu, aquele seu primo do interior? Está vindo passar uns dias conosco.

Marta sem se importar muito com a notícia fala discplincente:

– Ah, é, mamãe, que bom.

Não sabia ela aquele primo que ela desconhecia seria a causa da reviravolta em sua vida. Que a felicidade que ela tanto desfrutou na vida teria data e nomes marcados.

Em uma tarde corriqueira como todas, já próximo ao pôr-do-sol, Marta e João Paulo estavam no banco da pracinha ali mesmo na frente de suas casas, local onde passaram grandes parte de suas vidas, brincando com colegas de infância ou desfrutando aquele amor ardente que lhe pairavam sobre ambos. Aparece a mãe de Marta aos gritos:

– Filha, filha venha aqui seu primo chegou, venha vê-lo.

Naquele momento, João Paulo sentiu o que nunca sentira antes: Ciúmes. Com um grande aperto no peito João Paulo pergunta a Marta:

– Quem é este seu primo Marta? Por que você não me falou nada sobre ele?

Marta sem da muita importância disse a João Paulo:

– Calma, amor, nem sei quem e esse meu primo. Tá com ciúmes seu bobo?

Quando dois conversavam tranquilamente surgiu à mãe da Marta segurando pela mão o Tadeu dizendo:

– Marta, este é o Tadeu seu primo de Goiás. Não vai cumprimentá-lo?

Naquele momento, um sentimento estranho toma conta de Marta e João Paulo. Parecia que eles previam que a partir de então as coisas não seriam as mesmas.

– Olá, priminha, estava ansioso para lhe conhecer – falou Tadeu com um ar de superioridade.

– Este aí deve ser o seu namoradinho – continuou Tadeu.

Aquelas palavras aquele ar de desprezo tudo aquilo foi como uma ofensiva para João Paulo que num acesso e raia beijou o rosto de sua amada dizendo:

– Marta, tenho que fazer o meu trabalho escolar. E saiu cabisbaixo, ofegante e com os passos ligeiros.

Marta conhecendo como conhecia seu amado sabia que aquilo tudo o chateara muito. E sem dar satisfações a Tadeu partiu ao encontro de João Paulo. Depois de procurar em vão, Marta encontra João Paulo próximo a uma bela lagoa que existia naquela cidade, lugar onde João Paulo se refugiava quando algo o afligia como no dia em que seu amigo Pedrinho mudou-se ou mesmo quando o seu time perdeu o campeonato da escola e todos o culpou. Marta se aproximou do amado e com um forte abraço lhe sussurra ao ouvido:

– Amor, que bobagem é esta? O que me importa neste mundo é você e nada ou ninguém vai tirar isto que sinto por ti.

Ouvindo toda aquela declaração João Paulo abraça fortemente Marta e comenta:

– Marta, não conseguiria ver você com outro. Prometa-me que nunca vai me deixar?

Após toda aquela situação, ambos retornam para casa e Marta finalmente encontra Tadeu o cumprimenta friamente e vai para o seu quarto. Tadeu que era um mau-caráter aquelas alturas já se encantara por Marta e raciocinara consigo mesmo:

– Quando me invoco com uma mulher nada me impede de consegui. Ah! Priminha desta vez é você. Será minha a qualquer preço.

A mãe de Marta estava feliz com Tadeu em sua casa, pois era o único sobrinho que tinha filho de sua irmã mais velha que morava há muito tempo em Goiás, e ela não podia negar um pedido da irmã tão querida e não percebera que aquele rapaz não era de boa índole e às vezes dizia a Marta:

– Marta, filha, dê atenção a seu primo.

Marta ficava quieta, pois não queria de forma alguma contrariar a mãe e também podia ser que aquilo que achava do primo era coisas de sua cabeça provocada pelos ciúmes do namorado.

João Paulo estava cabreiro com aquele homem estranho na casa de sua amada, mas confiava em seu grande amor. João Paulo não conseguia ficar distante de Marta e nem pensava na possibilidade de se afastar da amada. Naquele mesmo dia, João Paulo deu provas do enorme amor que sentia pela querida Marta. Fora convidado por um amigo de seu pai para estudar em Paris e seguir carreira digna, seu grande sonho, só de pensar na possibilidade de se afastar daquela que tanto amava, seu coração pulsava forte, e a tristeza pairava sobre si, recusou aquela quem sabe seria a única chance que teria de seguir uma profissão que tanto almejava, pois seus pais eram pobres e uma oportunidade daquelas não mais bateria a sua porta, contudo o amor era infinitamente maior do que seu sonho profissional.

Certa manhã enquanto Marta assistia TV em seu quarto tranquilamente observa cena que lhe aterrorizou, vira em um programa policial reportagem de um homem que matara a esposa e a filhinha recém-nascida com golpes de machado e enterrara os corpos em seu próprio quintal e aquele assassino impiedoso era o Tadeu, seu primo, que estava ali dentro da sua própria casa. Marta desespera a corre para contar tudo a João Paulo quando depara com Tadeu que a segura agressivamente pelo braço e pergunta:

– O que foi priminha, por que está tão assustada? Pra onde vai com tanta pressa?

– Olhe aqui, gatinha, eu sei que você descobriu tudo. Nem pensa em contar para alguém, se não quiser que o seu queridinho e a titia virem presunto. E não é só isso não minha delícia você vai ter que se casar comigo se não já sabe não é? Hoje mesmo você vai acabar esse seu namorinho com aquele engomadinho.

Aquilo tudo foi como uma morte para Marta o que iria fazer, sabia que aquele homem era capaz de tudo o que prometera teve provas disto diante de seus olhos, sabia que ele não estava brincando. Como iria viver longe daquele que tanto amava.

Não teve outra solução, Marta avista ao longe João Paulo que vem em sua direção todo sorridente,inocente do que estava para acontecer. Marta com o coração sangrando recusa-se a beijar João Paulo e lhe diz em soluços:

– Am... João Paulo, eu não lhe amo mais, e não quero mais namorar com você e, por favor, não me procure mais.

João Paulo fica imóvel, mudo sem reação:

– O que meu amor, não acredito no que meus ouvidos estão ouvindo e o nosso amor, nossos planos, nossa filhinha. Tudo era mentira, engano...

– Marta estava arrasada, ferida, mas sabia que não podia continuar com o namoro, a vida de seu grande e verdadeiro amor era maior que tudo. Então ela dirige-se a João Paulo bruscamente dizendo:

– Não insista João Paulo, não percebe que não te amo mais, estou afim de outro homem. Por favor, não me procure mais. Dizendo estas palavras Marta sai às pressas daquele local.

João Paulo fica estarrecido com aquilo tudo e num devaneio se indaga:

– Meu Deus, o que fiz. Que motivos tenho para continuar vivendo, se perdi meu ar, se não posso mais sentir os beijos de minha amada, aquele abraço confortador... Por que meu Deus, por quê?

João Paulo perdera o alicerce que o mantinha firme, não tinha mais em quem se apoiar. O mundo naquele momento desmoronou, a vida perdera o significado. Em certos momentos, João Paulo pensou até em tirar sua vida. Mas como ele era muito religioso e sempre lia umas passagens bíblicas aquilo tudo o confortou e ele aos poucos tirara da cabeça os pensamentos maléficos que o atormentou por alguns momentos. Decidira em uma conversa com seus pais após contar-lhes tudo o que acontecera que iria viajar, pois seria difícil conviver ao lado de uma pessoa que tanto amava sem poder se aproximar dela.

Marta vivia pelos cantos da casa, cabisbaixa, nada a consolava sua mãe lhe indagava sobre o que acontecera com ela, o porquê do término do namoro, porém Marta permanecia muda e inconsolável.

Tadeu não dava trégua e cada dia que passava seu desejo louco por Marta era incontrolável.

Não contendo mais seus impulsos ele a ameaça:

– Martinha, querida, chegou à hora. Marque um jantar e anuncie a todos, o nosso casamento. Ou adeus João Paulo.

Em um dia de domingo, enquanto todos jantavam calmamente, Marta se levanta e com um ar de velório diz á família:

– Mãe, quero aqui neste momento revelar que eu e o Tadeu estamos namorando e queremos nos casar.

Dizendo isto, Marta sai correndo para o quarto aos prantos, sua mãe sem nada entender vai a sua direção ao que Tadeu interrompe dizendo:

– Calma, tia, ela está muito emocionada, nós nos amamos muito.

A mãe de Marta fica confusa sem saber como reagir diante de tantas novidades e sussurra:

– Meu Deus, o que está acontecendo com minha filha... Não deixe que ela faça bobeiras.

João Paulo ficou sabendo de tudo o que acontecera com Marta, pois sua mãe ouvira os comentários quando passava pela pracinha da cidade. Não acreditava que aquilo tudo estava acontecendo com ele. Já estava decidido a sair daquela cidade agora com mais esse golpe em sua vida era fato:

– Mãe, não há outro jeito amanhã mesmo vou partir.

A mãe de João Paulo não se conformava, mas apoiava a sua decisão.

João Paulo com o coração sangrando se despede dos pais e parte para a Europa, e se afasta naquele instante daquela que sempre amou que fascinava seus sonhos e ilusões.

Marta ficou naquele mesmo dia sabendo da viagem de seu amado e cai em prantos naquele momento o mundo desaba sobre sua cabeça sua remota esperança de ter novamente em seus braços o calor de seu amado acaba-se. Ela que nunca deixara de amar o João Paulo, agora era o motivo maior de sua tristeza.

Seis meses após a viagem de João Paulo Marta já se entregando a tristeza e desilusão e vivendo sobre ameaças constantes de Tadeu como que desistindo da vida casa-se com Tadeu e vive de maneira melancólica e sofrível.

João Paulo por sua vez encontra-se em Paris com um amigo de infância de seu pai que era dono de algumas empresas e logo o coloca em uma de suas empresas e João Paulo começa a estudar com um firme intuito de seguir carreira profissional que nunca deixara de ser seu desejo. Não tinha conseguido ainda tirar Marta da cabeça, afinal era um amor grande que não iria acabar tão facilmente, apesar disto tudo, as vezes que conversava com a mãe procurava não saber nada sobre a amada a fim de poder não se machucar ainda mais. Com o passar do tempo, João Paulo se forma em administração de empresas e se torna gerente das empresas de seu amigo a esta altura iniciara um namoro com Mirian uma linda moça que era filha do Jorge,seu patrão,a amigo que tanto lhe ajudara na vida.

Um ano de namoro se passara e João Paulo e Mirian resolvem se casar. Ele não tinha esquecido completamente Marta, mas sentia um grande afeto por Mirian e achava que com o passar dos tempos àquilo que sentia podia se transformar num grande amor.

João Paulo tinha uma vida estável tinha um excelente emprego e vivia relativamente bem no seu casamento, não se queixava da esposa, pois era uma pessoa dedicada e o que ainda atrapalhava sua felicidade plena era aquela mágoa que tinha no peito, devido ao que passara na vida e sempre vinha a mente as lembranças daquele amor que vivera.

O tempo passava e como uma faca afiada machucava ainda mais o coração de João Paulo, pois sabia que a cada minuto que passava a chance de reviver aquele amor, aquela paixão era reduzida.

Numa daquelas decisões súbitas, João Paulo chama a sua esposa e com muita dor no peito e remorso confessa:

– Olha, Mirian, você sabe toda a minha história, e lhe confesso que você é uma pessoa maravilhosa, mas esta dor esta confusão em que vivo não vai me permitir que eu me entregue completamente a você. Por isso, você não pode passar a sua vida com um amor pela metade e eu com essa interrogação em minha cabeça.

Neste momento, Mirian o interrompe dizendo:

– Entendi, João Paulo, eu já tinha percebido tudo e concordo com você, me enganei quando achei que poderia lhe fazer esquecer este seu grande amor, é maior do que eu podia imaginar. Vá João Paulo, não perca tempo, seja feliz.

Sem perder tempo, João Paulo resolve voltar para sua terra, carregava em seu peito um misto de alegria, agonia e incerteza, pois não sabia o que iria encontrar, desde quando saira daquela cidade nunca tivera mais noticias, não sabia como andavam as coisas.

Depois de uma longa viagem, João Paulo chega a sua cidade e o coração aperta ainda mais e aflição o faz parar uma pouco e pensar:

– Meu Deus, que será que vai acontecer? Onde estará a Marta?

João Paulo conhecia perfeitamente aquela cidade, mas após 12 anos longe, muitas coisas estavam diferentes e áquelas horas da noite, procuraria um lugar para dormir e no outro dia chegaria a sua casa e saberia novidades sobre a sua amada a Marta.

Após alguns passos naquele lugar conhecido, porém diferente, João Paulo avista uma linda moça a sua frente, a qual não lhe parecia estranha, aperta o passo e para a o seu grande espanto estava ali a sua frente toda linda e maravilhosa o seu grande e eterno amor a Marta.

João Paulo não para e corre em direção a Marta e chorando de emoção fala:

– Marta, meu amor, por favor, me beije. Não consigo mais viver sem seu amor. Fala-me algo, por favor.

– Olha, meu amor, me perdoe por tudo. Sei que lhe magoei muito, mas só fiz tudo àquilo por amor. Saiba que ninguém nunca amou nem amará você como eu um dia amei.

Neste momento, João Paulo interrompe Marta com um caloroso beijo e os dois amantes se entregaram a um amor inexplicável e incontrolável que nem o tempo e a distancia conseguia acabar. Depois daquela tórrida noite, João Paulo anestesiado de amor adormece profundamente.

O dia clareia e João Paulo acorda meio grogue sem entender onde estava e lembra-se da maravilhosa noite a qual passara e procura em vão pela responsável por aquilo tudo: a amada Marta, e para seu espanto João Paulo percebe que se encontra em um cemitério e ali passara a noite e aos gritos e num olhar buscando algo, não sabia o que, observa ali ao lado, uma sepultura com uma foto de uma linda moça e ao aproximar ler a inscrição:

“Aqui jaz Marta Freitas Caldas, nascida em 1980 e falecida em 2000”.

João Paulo se sucumbe diante daquilo tudo a foto, o nome era ela mesmo a Marta, estava morta. Ele sem perder tempo corre para a sua casa e lá chegando abraça a sua mãe e vai logo dizendo:

– Mãe, a Marta?

– Filho, ela... A mãe é interrompida pelos prantos de João Paulo:

– Mãe, mais como?

– Filho, ela casou-se com o primo dela por ameaças. Ele era um assassino e dizia que mataria você. Então, após um ano, o marido dela num acesso de loucura matou a Marta e se matou. E eu não lhe contei nada, filho, pois sabia da sua reação e não queria vê-lo sofrendo.

João Paulo não se movia extasiado com tudo aquilo que ouvira da mãe, não entendia nada. E a noite anterior, aquele amor tórrido. Parecia tão real...

Nove meses se passara, mas João Paulo não tirava da cabeça toda aquela inexplicável situação pela qual passara naquela noite. Numa noite de insônia, João Paulo ouve um barulho estranho no quintal da casa de sua mãe onde morava, quando ele sai para observar o que está acontecendo fica extasiado, ali a sua frente estava um lindo bebê em uma decorada cesta com um bilhete com os dizeres:

“Por favor, cuidem bem desta criança, pois ela é uma bênção divina, prova de um infinito amor”

Marta é o nome dela...

Obrigado.

Naquele momento, João Paulo não teve mais dúvidas daquilo que lhe inquietava,passara aquela estranha noite com sua amada Marta e que fora uma chance que Deus lhe dera de ter pela ultima vez a chance de sentir o gosto do verdadeiro amor e aquela criança é a prova deste infinito e agora sobrenatural Amor.

João Paulo viveu muitos anos com sua filha Marta, nunca namorou ou viveu junto com outra mulher e numa noite qualquer já muito idoso faleceu e quando o encontraram no dia seguinte ele se encontrava com um grande sorriso em sua face, o qual mostrava a alegria que sentia ao encontrar naquele momento com seu eterno AMOR pra viverem infinitamente juntos.

Autor: Udirlei Correia
Categoria: Contos – Surreais
Publicação: 8-6-2011