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”. (Platão)

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Presença Divina

Eu andava pela cidade
Um estranho me parou
Com gentileza e calma
Com pureza em sua alma
Uma história me contou.

– Venho de muito longe
Um lugar cheio de guerra
Violência e matança
Lugar sem amor e esperança
É triste a minha terra.

Fui de lá apedrejado
Com imensa crueldade
Fugi pra não morrer
Veja só o porquê
Vou contar toda verdade.

Quando jovem eu trabalhava
Foi meu ofício primeiro
Ajuda o seu José
E Maria sua mulher
Eu já era marceneiro.

Cresci revoltado
Com injustiça ao meu redor
Pobres, negros massacrados
Eram na vida soterrados
Dava pena, dava dó.

Mas não cruzo os braços
Pois em meu peito trago a Paz.
Luto contra o poder, ganância
A violência, a matança
O dinheiro e muito mais

Nunca vou desistir
Pois esta é minha missão
– Moço, desculpe o tormento
Pois tomei o seu tempo
Peço aqui o seu perdão.

Fiquei de boca aberta
Com incrível narração
Levei-o para casa
Dei-lhe um copo d´água
E uma grande refeição.

Contou-me algumas façanhas
Causos incríveis, sem igual
Mas minha preocupação era tanta
Pois minha filhinha santa
Estava mal em hospital.

O seu nome eu perguntava
O telefone ali tocou
Minha esposa que ligava
Aflita ela gritava
Nossa filha piorou

Disse ao homem se acomode
Pois urgência me chama
Tenho que sai às pressas
É assunto que interessa
Minha filhinha que me chama

Deixei o homem ali parado
Fui correndo ao hospital
Cheguei aflito e desesperado
Fiquei louco, alucinado
Pois minha filha estava mal.

Olhei para minha princesa
Ah! meu coração sangrou
Ver minha querida amada
Numa cama deitada
A razão de meu Amor.

Saí dali decidido
Um médico logo procurei
– Doutor, me conte a verdade
Tire-me a angústia, ansiedade
Releve-me o que não sei.

O doutor sem hesitar
Como uma faca afiada
Feriu-me, estraçalhou
Meu coração machucou
Com a verdade revelada.

– Senhor, sinto muito
Sei que é sua filha querida
Mas o mal é incontrolável
A doença incurável
Vai tomar a sua vida.

Aquelas poucas palavras
Que acabara de ouvi
O meu peito sufocou
Como era grande aquela dor
Eu não pude resistir.

Saí louco pelo corredor
Gritando sem pensar:
– Meu Deus, por que isso?
O que fiz contigo
Pra poder me castigar.

Sou o teu devoto
E o que fazes comigo?
Para Ti sempre rezei
O teu nome exaltei
Não mereço este castigo.

Minha esposa como um anjo
De mim se aproximou
Abraçou-me com ternura
Com sua alma bela e pura
Umas palavras assim falou:

– Amor, não fique assim
Também dói-me o coração
Amo muito minha filhinha
Ela é minha rainha
Do meu viver é a razão

Nosso pai, nosso senhor
Não castiga, pois nos ama
Ele está aqui presente
Sempre olhando para gente
Ele não nos abandona

Aquelas palavras doces
Vindas de minha mulher
Abrandaram o meu coração
Ao senhor pedi perdão
Onde estava a minha fé?

Decidido e confiante
Com muita fé e devoção
Fui aquela capelinha
Peguei um terço que eu tinha
Comecei minha oração.

– Senhor, sei TU existes
Pois provas já nos deu
Não para mim ou para outro
Deu prova para o povo
Foi por ele que morreu.

Venho aqui para pedir
És minha única solução
Senhor, sabes o que quero
Pois és tu o PAI ETERNO
Dê minha filhinha a salvação.

Depois daquela prece
Levantei-me para sair
Ali estava ao meu lado
Aquele homem abençoado
Alegremente a sorrir

Tentei falar algo
Ele prontamente não deixou
– Homem, vá ver sua filhinha
A coitada está sozinha
Pedindo o seu amor.

Me mandei pro hospital
Mesmo sem nada entender
Queria ver a filha amada
Que ali desenganada
Vivia a padecer.

Quando no quarto entrei
Estremeceu meu coração
Minha filha ali sentada
Toda alegre e animada
Disse: – Pai, minha benção!

Meu coração ecelerou
Corri em sua direção
Abracei-a e a beijei
Em meu peito apertei
Que grande emoção!

Ver minha filha amada
Sorrindo alegre a cantar
Foi um presente do céu
Que o Senhor poderoso e fiel
Veio aqui nos dar.

Voltamos para casa radiante
Como uma família unida
Tinha uma esposa fiel
Um pai eterno no céu
E minha filhinha querida.

Alguns dias adiante
Estava alegre a cantar
Minha filha me chama
– Pai, sente aqui nesta cama.
Tenho algo pra falar.

Quando estava doente
Naquela cama no hospital
Entrou no quarto um senhor
Na minha mão segurou
Senti uma paz sem igual.

Olhou-me e disse assim:
– Filha, por que choras?
O teu pai te curou
Com grande fé e amor
Levante e vá embora

– Você está curada
De toda dor e aflição
Diga a seu pai amado
Que por ele sou sempre grato
Pela água e refeição.

Tudo aquilo que ouvi
Deixou-me sem destino
Quem era aquele homem
Que não sei nem o seu nome
Um anjo santo divino?

Alguns dias depois
Passando pela cidade
Vi na rua uma multidão
E um corpo estendido no chão
Que tamanha crueldade!

Desci do carro ligeiro
Para ver o ocorrido
Vi um homem ensanguentado
Todo sujo e maltratado
Eu não tinha conhecido.

Daquele homem aproximei
Foi enorme o meu espanto
O senhor ali no chão
Morrendo sem compaixão
Era aquele homem santo.

O seu corpo levantei
Entre aquela multidão
Ele ainda estava vivo
Senti um leve suspiro
E batia o coração

Levantou sua cabeça
Um sorriso ele me deu.
E me falou bem assim:
– Minha luta não tem fim
Virou-se o corpo e morreu.

Foi-se embora aquele homem
Puro, honesto, fiel
Anjo eterno, divino
Cumpriu com honra seu destino
Foi com Deus morar no céu.

Relatei tudo a minha família
Aos prantos em emoção
E minha surpresa aumentava
Pois no calendário marcava
Sexta-feira da Paixão.

A partir daquilo tudo
Compreendi minha missão:
Das maldades a terra livrar
A paz aqui semear
Com O SENHOR no coração.

Autor: Udirlei Correia
Categoria: Cordel
Publicação: 5-11-2010